MEMÓRIAS LITERÁRIAS LEMBRANÇAS DA MINHA INFÂNCIA

Aluna Miliane Santos.

O município de Juruti é destaque no cenário nacional, por ser uma das cidades a representar o Estado do Pará na 3º Olimpíada de Brasileira de Língua Portuguesa. A aluna Miliane dos Santos, 13 anos, cursando o 8º ano da Escola Municipal Zelinda Guimarães, foi selecionada na categoria memórias, com o título “Lembranças de minha infância”, assim como a professora Rutiney L. dos Santos.

Uma das etapas ocorreu em São Paulo, no período de 12 a 14 de novembro, onde Miliane participou de uma oficina. Na primeira fase alunos e professores escolhidos com os melhores 125 textos de cada gênero, vão receber medalhas de bronze, livros e o direito de participar de diversas atividades de formação, como oficinas de leitura e escrita e visitas culturais. Na etapa seguinte, já com 38 finalistas, os selecionados receberão medalhas de prata e um tablete, além da escolas receberem uma placa de homenagem.

A conclusão da olimpíada esta prevista para ocorrer em dezembro deste ano, em Brasília, onde 20 alunos que receberão medalhas de ouro e um notebook cada. Já as escolas ganharão laboratórios de informática com dez microcomputadores e uma impressora, além de projetor, telão e livros.

(Texto: Dean Batista e Reinaldo Nascimento)

MEMÓRIAS LITERÁRIAS
LEMBRANÇAS DA MINHA INFÂNCIA

Aluna: Miliane Sousa dos Santos
Professora: Rutiney Lima dos Santos
Escola: M. E. F. Zelinda de Souza Guimarães

Recordo-me com muita saudade do lugar onde nasci. Comunidade do Paraná de Juruti Velho, área rural, região de várzea, interior de Juruti no estado do Pará. Lugar simples, pequeno, que nem aparece no mapa de tão insignificante, mas para mim é tão valioso quanto um diamante já lapidado. Minha casa tinha características indígenas, típica da nossa região: feita de pau a pique, coberta de Palha e assoalho bem alto prevenindo a enchente.

Meu Pai trabalhava na roça, pescava, e até hoje gosta de criar animais: galinhas, patos, porcos, e outros. Ele também tinha criação de gado, onde passava maior parte do tempo cuidando dos bezerros. Minha Mãe cuidava da casa e do plantio da horta, que tinha tudo que precisava para temperar nossa comida. Quando as galinhas iam para sua horta ela ficava furiosa, porque ciscavam os pés de cebolinha, chicória e coentro, beliscavam a couve, enfim deixavam uma bagunça.

Eu gostava de pescar e ir para roça com meus pais buscar lenha. Ficava horas ouvindo o cantar dos pássaros e observando-os bem de perto. Lembro-me do tá, tá, tá do Pica-Pau, o Bem-Te-Vi que anunciava a chegada de visitas: dizia minha mãe, a Saracura tão elegante com suas longas pernas e outros. No caminho de volta para casa não era raro encontrarmos um grupo de capivaras que corriam em direção ao rio.

Quando começavam as chuvas de inverno eu e meus quatro irmãos ficávamos tão felizes, o rio crescia, ele ficava maior e o dia parecia pequeno. Brincávamos na água, passeávamos de canoa, eu gostava de jogar pedrinhas da janela de casa no rio, aquele barulho me fascinava. Papai não!Recebia o inverno com muita preocupação, a primeira coisa que fazia era providenciar madeira para fazer maromba e abrigar os animais.

Não entendia muito bem quando meus pais falavam nos prejuízos causados pela enchente. Gostava mesmo de olhar o rio imenso e dar comida para os peixinhos passeando de canoa pelo quintal de casa.

Aqueles seis meses passavam rápido, as chuvas iam diminuindo e com a falta delas o rio ia ficando mais estreito. Quando o verão chegava a terra já estava seca pronta para receber novas plantações. Lá ia a gente para o roçado plantar milho, feijão, arroz, mandioca, melancia, jerimum, maxixe sem esquecer, é claro, da horta da mamãe.

Ah! Que saudade daquele tempo… Inesquecível! À noite ao lado da fogueira que papai fazia para espantar os carapanãs eu e meus irmãos reuníamos para brincar de esconde-esconde, subíamos bem no alto das árvores para conseguirmos um bom esconderijo. Quando amanhecia íamos para casa de meus avós apanhar frutas para comermos, era nosso café da manhã: manga, banana, caju, goiaba e outras que só existiam lá.

Tive uma vida escolar bem diferente dos dias atuais. Era bem difícil estudar: ônibus, barco, lancha… Nada disso para chegar à escola tinha que remar mais de duas horas. Só tinha até a 4ª série no Paraná de Juruti Velho, hoje 5º ano. Apesar das dificuldades conclui o Ensino Fundamental menor.

Casei aos 17 anos. Depois vim morar na cidade senti uma diferença enorme estava acostumada com o jeitinho do interior. Tentei continuar meus estudos, mas casada ficou mais difícil ainda. Vieram os filhos, então tive que trabalhar junto com meu marido para mantermos a casa e criar nossos filhos.

Depois de um tempo voltei a estudar concluí o Ensino Fundamental. Agora penso em ajudar meus filhos, para que eles tenham uma boa educação. E possam ser mais tarde cidadãos de bem e ter uma boa profissão.
Hoje conto histórias do lugar onde nasci para meus filhos e para qualquer pessoa, sempre recordando com muitas saudades daquele tempo da minha infância.

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